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Boa noite - Itabira, quinta, 19 de setembro de 2019 Hora: 20:09

ASSUNTOS GERAIS
AONDE JAIR BOLSONARO VAI DAR?
25/05/2019

O título acima, de proposital, é capcioso, admito. Afinal, o dirigente maior do país tem ojeriza de “dar”. E na sequência há um complicador. O verbo é bitransitivo. Quem dá, dá alguma coisa pra alguém. O presidente odeia “bi”, de uma maneira geral.

Então, para não causar descontentamentos- e até iradas reações nas redes bolsonaristas- vou modificar o título da crônica. Anote aí. Em lugar de “Aonde Jair Bolsonaro vai dar?”, leia: “Aonde Jair Bolsonaro vai parar?”.

E dá (olhe ele aí de novo) para responder essa pergunta? Não. Com exatidão, não. As últimas atitudes do capitão permitem ligeiras especulações. Mas, uma coisa é certa. Há cheiro de tentativa de autogolpe no ar. Na semana passada, o presidente publicou uma mensagem apócrifa num grupo de WhatsApp. A estranha postagem detonou as instituições mantenedoras do estado de direito. O texto desqualificou o Legislativo e alfinetou o Judiciário. E concluiu; hoje, o Brasil é uma nação ingovernável. “Tudo por conta de velhas práticas de juízes e parlamentares”, segundo o misterioso psicografado (deve ser uma entidade do além).

E aqui está a senha para o autogolpe: “Jair Bolsonaro só conseguiria administrar o país com os dois poderes na jaula”. O capitão reformado quer autonomia incondicional para tocar o seu projeto de governo, se é que existe algum. O milico de pijama sonha ser ditador de baixa patente.

O governo de Jair é confuso. Os seus atabalhoados assessores flertam o tempo todo com o abismo social. O esporte de predileção do bolsonarismo é o tiro ao pé. Essa modalidade é praticada todos os dias. Até já virou condicionamento pavloviano. De tão contumaz- e por mera distração- o disparo vai acabar acertando o peito do próprio atirador. Aí será fatal.

O “mito” previu um grande tsunami dias atrás. Porém, pintou apenas uma leve marolinha no ambiente político de Brasília. A pequena conturbação climática foi provocada pela quebra do sigilo bancário do filhote Flávio (o popular 01) e mais 80 pessoas. Essa lufada foi apenas o início da encrencada “rachadinha”, obra prima de Fabrício Queiroz, o topa-tudo do clã Bolsonaro. O verdadeiro grande tsunami assolará a capital federal no final do ano.

O Messias tupiniquim anda tenso e irritado. Está a um passo do desespero. Com esse quadro emocional, faz vigorosos acenos à quebra da normalidade institucional. A República está à deriva. Uma pequena movimentação no tabuleiro do establishment demonstrou a gravidade da situação. O astrólogo Olavo de Carvalho (filósofo fictício e Rasputin da “famiglia” Bolsonaro) consultou os astros e resolveu pular fora. “Não me meto mais na política brasileira”, avisou o famigerado “bruxo da Virgínia”. Esse ímpeto radical é fruto de antevisão de caos na linha do horizonte.

A viabilidade de golpe será testada nesse domingo. Amanhã, acontecerão manifestações de apoio ao presidente e contra o Congresso/ Supremo Tribunal Federal (STF). O tamanho da adesão determinará o percentual da possibilidade de implantação de um estado de exceção. A aposta é muito arriscada. A convocação poderá se transformar em mais um tiro no pé. A tentativa de botar o povo na rua já redundou em fragorosos fracassos para alguns políticos tapuias. A historiografia do país registra marcantes fiascos nesse quesito.

Uma “bandeirada” exemplar aconteceu em 16 de agosto de 1992. Foi um dia de luto. O presidente Fernando Collor de Mello estava acuado. O seu irmão Pedro fez sérias denuncias à revista “Veja”. O depoimento pariu uma crise devastadora. A situação ficou insustentável para o líder da “República das Alagoas”. À beira do naufrágio, Collor tentou uma cartada final. Implorou para que o povo saísse às ruas de verde/amarelo para apoiá-lo.

E o tiro saiu literalmente pela culatra. Uma multidão, com trajes negros, protestou contra o morador do Palácio da Alvorada. Foi um dia de luto. Essa espontânea reação popular praticamente precipitou o processo de impeachment do caçador de marajás. Agora, um “caçador de comunistas e veados” usa a mesma estratégia de Collor. As finalidades são distintas, mas as consequências podem ter um quê de identidade.

A história é a arte da repetição. Outro folclórico presidente tentou autogolpe com auxílio do povaréu. E deu com os burros n'água. Jânio da Silva Quadros obteve a maior votação presidencial da história do Brasil, na sua época. Um total de 5.636.623 eleitores despachou o bigodudo para Brasília. Era o ano da graça de 1960. O mato-grossense radicado em São Paulo conquistou fulminante carreira política. Ele ocupou os cargos de vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal e governador. O candidato da vassoura (objeto para “varrer toda a sujeira da administração pública”, o símbolo de sua campanha) foi advogado, professor de português, escritor e até pintor. Tinha, portanto, ampla bagagem intelectual.

Mas a sofisticada cultura escondia demagógica figura cômica, que gostava de devorar pães com salame em público. Normalmente se apresentava com o paletó estrelado de caspa. E, mais: era um inveterado beberrão. Adorava um teatro. Às vezes, simulava desmaios na hora dos comícios. E a ópera- bufa deu certo. O ex-governador paulista chegou ao poder central montado no nanico Partido Trabalhista Nacional (PTN). Contou ainda com oportunista apoio da aristocrática União Democrática Nacional (UDN).

Em Brasília, a exemplo de Bolsonaro, o novo presidente começou um precoce arranca- rabo com deputados e senadores. As suas ações dificultaram a governabilidade. Diante do cenário adverso, Quadros tentou implantar o totalitarismo no Brasil. Para isso, tomou uma atitude drástica: renunciou à presidência da república com apenas sete meses de mandato. Cena do próximo capítulo: deixou a capital do país e pegou um voo para São Paulo.

Esse gesto dramático escondia um objetivo: o fanfarrão pretendia provocar uma comoção popular. Afinal, ele era muito querido pelo populacho e parte da elite. Então, em seu devaneio, imaginava que o povo iria às ruas intimar o seu retorno. Seria a triunfal volta do boêmio. E o demagogo- “um escravo do povo”- até toparia o “sacrifício”, com uma condição: reassumiria com poder ilimitado. Exigiria, para tanto, o fechamento do Legislativo e a supressão do STF.

Não deu certo. Não apareceu uma viva alma para pedir o “fico”.

Quando chegou à Base Aérea de Cumbica, no momento do desembarque, nas escadarias do avião, morto de bêbado, ele indagava insistentemente para a sua mulher: “Eloá, cadê o povo, Eloá?”

Jair será Bolsonaro ou mera reencarnação de Jânio Quadros? Nem uma renúncia deve ser descartada nesse cenário. Aonde Jair Bolsonaro vai dar?

PS; Na ilustração, a capa da revista Piauí desse mês. Em destaque, a charge de um beijo hetero de Jair Bolsonaro em Olavo de Carvalho. Parece que a heterossexualidade permite algumas derivações.

 

Fernando Silva








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