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Bom dia - Itabira, segunda, 26 de outubro de 2020 Hora: 07:10

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana Quem te socorrerá, Itabira?
17/10/2020

Ao ensejo dos trezentos anos de descobrimento de Itabira, veio-me à memoria esta pergunta feita por meu inesquecível amigo, dr. Sérgio Rosa, em uma de suas crônicas, escrita em 1998, para a Radio Pontal FM, cujo teor, na íntegra transcrevo neste espaço, respeitando os direitos legais inerentes para que você caro ouvinte perceba a visão deste grande itabirano sobre as coisas da Terra de Tutu Caramujo, já naquela época. Escreveu ele: “Do alto da mais alta montanha lançou o olhar para as profundezas do vale que serpenteava a seus pés. Levantou a vista e viu até onde o horizonte se unia a terra e seu olhar ondulou, suavemente, acompanhando a paisagem, subindo e descendo as encostas, até longe, muito longe. Lá, onde a vista já não alcançava mais, pensou, lá na frente, a terra acaba e começa o mar, o grande mar. A terra que via embaixo era rica, seus olhos penetraram-lhe as entranhas e ele viu seu ventre metálico, de ouro e de ferro em quantidade que dava para alimentar gerações sem conta. Quieta e adormecida tamanha riqueza logo faria a felicidade de quem ali vivesse.

À sua frente, o maciço azulado do Cauê se impunha solene e desafiante. De ouro e ferro, precioso e cobiçado, o monolito parecia indestrutível. Marco de hematita gerado nas convulsões da crosta terrestre, ali estava, um sinal cósmico do princípio do universo, do começo dos tempos.

Ali, profetizou, nasceria a Itabira, cidade rica e poderosa, de um povo culto e feliz, que iluminaria toda uma nação, com sua riqueza que não acabaria nunca.

Feliz é o seu povo, pensou novamente, jamais teria de se preocupar com o futuro. Poetas cantariam as maravilhas daquela terra abençoada e todos a invejariam. Esta foi a visão que um extraterreste teve, aqui, ha uns duzentos anos atrás. “A cidade que mais divisas fornece ao Brasil”, “cidade educativa”, etc. etc., lembram-se? Sim, Itabira, mas por onde andará o seu futuro profetizado? Onde estão os vales da abundância e da riqueza, com seus rios de leite e de mel? Me assusta, isto sim, a fria e desolada paisagem lunar que se anuncia, cada vez mais próxima. Da imensa cratera do Cauê, a boca escancarada a clamar para o universo impassível. Quem te socorrerá Itabira?”

Pois é, amigos e ouvintes, esta crônica foi escrita há vinte e dois anos, já passados e a realidade é a mesma? Não, não é a mesma. De lá pra cá as crateras aumentaram. Já não parecem com as crateras lunares; muito mais com as crateras dos Planetas Marte e de Saturno ou quiçá Mercúrio como desejam os exploradores.

 

Esta é uma realidade insofismável. Sem retorno. Quem te salvará Itabira? Foi a pergunta que o dr. Sérgio Augusto Gonçalves Rosa nos legou! Quem? Quem te salvará Itabira?

Estive pensando: A Vale, empresa que começou a exploração do minério de ferro em Itabira, em 1942, e vendeu toda sua produção aos países mais desenvolvidos, que se tornou de uma pequena empresa sem crédito e sem nome - Companhia de Melhoramento do Vale do Rio Doce - seu nome original - depois em Companhia Vale do Rio Doce, a poderosa que mais divisas forneceu ao Brasil, a maior em extração, beneficiamento e exportadora de minério de ferro do mundo, sem contar, o ouro que foi dado de graça aos alemães, aos canadenses e aos japoneses. A poderosíssima Vale de hoje é que deverá dar a resposta de quem salvará Itabira!

Ela, somente ela tem a resposta para os itabiranos de hoje. Como sabemos, daqui a poucos anos ela estará dando by, by Itabira e deixando sobre uma mesa qualquer, toda empoeirada, um bilhete: o último a sair, apegue a luz. Triste fim, com certeza, porém, é de bom alvitre que já se pensasse agora num legado para a Itabira do futuro. Quiçá, já pensarmos em uma sustentabilidade, com energias renováveis, como: energia solar, energia eólica e em energia hidráulica? Nosso futuro merece e requer para darmos vazão aos futuros itabiranos que serão formados pela UNIFEI, pela FUNCESI e demais Faculdades aqui existentes. Quiçá, de uma futura UNIVERSIDADE? Com 172 anos de Emancipação Política, Itabira merece.

Meus amigos e ouvintes, Dom Helder Câmara escreveu; Raul Seixas, em parceria com Paulo Coelho musicou: “Sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas o sonha que se sonho junto, é realidade”, ou “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”, conforme escreveu Clarice Lispector. Graças a Deus, sonhar ainda não se paga imposto, nem caminhar. Vamos sonhar e caminhar juntos? E agora, José? E agora, Itabira, quem te salvará? Itabira possui vários morros e montes, ventos constantes, sol abundante, não seria a implantação de uma usina eólica viável para o futuro de nossa história? Aproveitar o sol abundante do ano inteiro.

Seria propício à implantação de uma usina de energia solar? Soluções existem.

Coragem, Itabira! Coragem, José! Não podemos mais deixar a Terra de Tutu Caramujo voltar à Itabira do Mato Dentro, nem que seja a Itabira dos buracos e crateras lunares, não é mesmo? A Vale de hoje, não é a Vale de ontem que tudo levou de Itabira, tem a obrigação de não deixar essas aparências lunares como “um retrato na parede” para nossos filhos e netos. A hora é agora José! Deixar para depois será chorar o leite derramado! Implantar essas energias viáveis que darão sustentabilidade ao futuro do Município é uma das várias soluções que podemos almejar. Ser cego e não enxergar o futuro é perder a realidade, não é mesmo?








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