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Boa tarde - Itabira, domingo, 24 de janeiro de 2021 Hora: 13:01

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana "Trezentos anos de Itabira! Esquecidos?"
05/10/2020

Registra a história de Itabira que, em 1720 os Irmãos Albernaz, que pertenciam ao grupo do Bandeirante Borba Gato, ao chegarem ao cume do Monte Itambé, avistaram ao longe um monte mais alto que denominaram Pico do Cauê, montanha rochosa que brilhava sob o sol. Desembestaram mata adentro até chegar ao sopé do Pico, outrora avistado. Como estavam em busca do ouro, desceram a serra até alcançar um pequeno córrego que o denominaram “Córrego da Penha”. Ao lado de pequeno córrego iniciaram a construção de uma pequena Igreja. E como estavam no mês de outubro a consagraram a Nossa Senhora do Rosário, mais tarde como Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. No córrego, os Irmãos Albernaz exploraram muito ouro, ouro este que era enviado a Portugal, durante o reinado de Dona Maria Iª, “a louca”. Ao avistarem o Pico do Cauê, do alto do Monte do Itambé, a denominaram como sendo Itabira, isto é Ita, que do tupi-guarani significava “pedra”, e bira que significava “que brilha”. Daí o nome Itabira: pedra que brilha. Esta é a versão que estudei nos primeiros anos de escola primária rural, na Fabrica de Tecidos da Gabiroba, com minha inesquecível e saudosa professora, inicialmente, dona Emília Lage, posteriormente com dona Isabel Costa. Portanto, na minha conta, Itabira neste ano de 2020 está completando 300 anos de existência. Será esta data uma verdade? Itabira, durante anos foi distrito de Caeté, então denominada “Terra da Rainha”, como outrora, Sabará assim fora denominada.

Claro, lógico e evidente que esta é uma versão que estudei. Outras versões haverá de existir, porém, fica claro que em minha versão, Itabira está completando neste ano de 2020, 300 anos de existência. A contestação desta história é viável, mas, para mim, esta é a verdadeira: 300 anos de existência queiram ou não, outros estudiosos e historiadores, de plantão da Terra de Tutu Caramujo.

Mas o cerne da questão é a seguinte: 300 anos de existência e nenhuma comemoração na cidade. Mariana a cidade mineira mais velha, quando completou 300 anos, todo o Estado de Minas Gerais parou para as comemorações. Talvez, esta inércia, ou esquecimento de hoje para se comemorar os 300 anos de Itabira, a Terra de Tutu Caramujo, seja por causa do Covid-19, que, a meu modesto juízo não se justifica. E, a meu ver, falta de consideração e imaginação de nossos governantes, e seus auxiliares que, não tiveram capacidade intelectual, filosófica e por que não, vontade de rememorar esta importante data, quando, mesmo dentro de uma pandemia, realizou-se o famigerado “Festival de Inverno”. Festival de Inverno que é muito bom para Ouro Preto, Sabará e outros cidades mais atrativas. Portanto, ao meu inteiro entender foi inoportuna sua realização para o momento em que vivemos. Festival de Inverno este que, realizado anualmente, pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e nenhum retorno histórico, financeiro e atrativo, traz para o Município, sequer para a exploração do turismo, ainda que, este tenha sido realizado via internet, ou outro meio digital, ou “on line” como queiram.

Trezentos anos de existência de um Município que desde seu nascimento sempre foi explorado, extorquido e destruído por exploradores externos, não é mesmo?

Foi-se o ouro. Está indo o minério de ferro, ficam as crateras e a falta de água constante, pois os lençóis freáticos foram todos destruídos. Até quando, meu Deus do céu! À Companhia Vale que, durante anos e anos explorou, beneficiou e exportou todo o minério de ferro de Itabira, que dentro de poucos anos deixará à Terra de Tutu Caramujo, tão somente a saudade talvez, e após descer o último trem, deixará para sempre as crateras, buracos e uma visão, quase igual aos planetas extraterrestes que permanecerão “ad aeternam”. Que triste fim, caro Watson. Que triste fim, querido Policarpo Quaresma!

Parafraseando Drummond, dele tomo emprestado seus versos, adaptados aos tempos modernos: “O maior trem do mundo levou minha terra para a Alemanha, levou minha terra para o Canadá, levou minha terra para o Japão e para a China. O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas a óleo diesel, engatadas geminadas desembestadas levou meu tempo, minha infância, minha vida triturada em 163 vagões de minério e destruição. O maior trem do mundo transporta a coisa mínima do mundo, o meu coração itabirano. Lá foi o trem maior do mundo, levou todo o minério do Pico do Cauê e está levando todo o minério de ferro da Serra do Esmeril e da Serra da Conceição; vai serpenteando, vai sumindo e um dia, eu sei, não voltará, pois nem terra nem coração existirão mais”. Não esqueçam: “O último a sair, apague a luz”. “Só, na porta da venda, Tutu Caramujo cisma da derrota incomparável”. Lembrando-se de meu inesquecível amigo, dr. Sérgio Rosa, dele, também tomo emprestado: “Quem te socorrerá, Itabira?”








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