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Boa tarde - Itabira, domingo, 19 de maio de 2019 Hora: 17:05

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Dia das mãe se e das mães dos excepcionais”
13/05/2019

Neste domingo, doze de maio é o dia das mães. Desejei que minha inesquecível mãe, Olinda Alves, ainda estivesse aqui presente no meio de nós, porém, quis Deus que há trinta e nove anos ela já esteja no seio divino, fato este, que não me impediu, nem me impede de, neste espaço semanal, me lembrar dela, presente em nossa presença material.

Sempre desejei prestar-lhe homenagem, assim como, às mães de filhos deficientes, viciados em toda espécie de drogas, àqueles filhos moradores de rua e pedintes no trânsito e, em especial à mães solteiras e, claro, aos pais que fazem jus à classificação como excepcional, como também são denominados seus filhos, quer autistas ou fora do comum, no sentido normal, quanto excelentes e brilhantes, ao superdotados.

Sei, perfeitamente, pois já passei por esta situação que a maioria dos casais, quando recebem a notícia de que esperam um filho, excetuando àqueles pais que são apanhados de surpresa, pois ainda não esperavam para já, tão cedo, uma dúvida cruel nasce-lhes quando começam a interrogar a si mesmo: meu filho nascerá perfeito, sem problemas de saúde, a gestação está sendo conduzida a contento, administrada por profissionais competentes?

O drama deve existir quando ainda durante o período da gravidez constata-se que o filho por vir tem algum tipo de problema que comprometerá seriamente sua vida e a dos que com ele conviverão. Gente, isso deve ser um choque indescritível. E, por que seria diferente? O casal sem filhos vive dramas inimagináveis, momento em que resolve adotar crianças, às vezes, perfeitas ou excepcionais, e, têm tempo de reflexão para chegarem à conclusão que essa ação cristã e humana de cunho inteiramente social é admirável de se fazer e, geralmente assim o fazem por puro amor ao próximo e verdadeiro amor a Deus e ao bem da convivência do casal, fortalecendo seu amor de um para com o outro.

A televisão tem mostrando, constantemente, que essa maioria de casais quando visita creches ou orfanatos de crianças sem lar, ou deficientes, caem de amor, geralmente, por crianças com uma dependência e o amor, por consequência advém pelo convívio com seus rebentos. Isso é um verdadeiro amor divino. E como amam! Quantos de nós já tivemos a oportunidade de ver, em nossas comunidades casais que adquiriram filhos nessas circunstâncias e quando falam de seus rebentos, manifestam com tanto carinho que temos a sensação de que esse seu filho, quer seja adotado ou não é a razão de suas vidas.

Na família de meu pai, existia um seu tio que se casou com a idade bem madura. Da união matrimonial nasceram seis filhos, quatro mulheres e dois homens. O último nasceu problemático. Percebeu-se que seria inválido pelo resto da vida. Com o nascimento do filho, totalmente incapaz, a mãe morreu no parto e uma de suas irmãs, assumiu o irmão, recém-nascido como seu filho e o criou com um amor maternal inigualável, jamais visto.

O irmão, à medida que crescia em tamanho e desenvolvia, percebia-se que não falaria, somente balbuciava, com dificuldade algumas palavras. Às vezes, quando não era entendido ficava nervoso, muitas vezes furioso e ninguém podia chegar perto, pois se tornava muito agressivo. Sua irmã, com todo carinho e amor, somente ela, conseguia acalmá-lo em seu colo, tornando-o numa doce e suave pessoa.

Anos a fio, a vida naquela casa foi vivida dessa forma. Pode-se afirmar que essa contenda durou por mais de trinta e cinco anos, chegando-se ao ponto dos mais velhos partirem para a eternidade, ficando tão somente, a irmã/mãe e o filho assumido. Para todos que viveram esse drama era difícil ver as cenas, o filho arrastando-se pela casa afora e a irmã/mãe acompanhando-o em todos os seus movimentos e em todas as suas necessidades materiais e fisiológicas, especialmente para dar-lhe banho, até três ou quatro vezes ao dia; vesti-lo e trazê-lo sempre limpo e bem cuidado. Ao completar trinta e cinco anos, Suzinha, esse era o seu nome carinhoso, partiu para a eternidade, deixando sua irmã/mãe desolada. O desfecho foi fatal. A irmã/mãe, pouco tempo depois também partiu. A saudade e o sentir a falta do Suzinha, filho/irmão e, sem ter o que fazer naquela casa falou mais alto e ela não suportou a separação, partindo também, para eternidade.

Nunca vimos na irmã/mãe, a qualquer hora do dia ou da noite, sinais de cansaço. Afinal era ela, um ser humano diferente, assim como eu e todos nós quando reclamamos dos pequenos, medos e grandes percalços em nosso cotidiano. Por isso, ser mãe é ser um ser humano tão sublime. Elas estão aqui para nos chamar a atenção para valores que muitas vezes preferimos ignorar. Estão escondidas atrás de nossas correrias, na falta de nosso amor ao próximo, e, principalmente, atrás de nossa pseudo falta de tempo.

A essas mães, como a Pipita, irmã/mãe do Suzinha que tiveram e têm escancaradas para todo mundo ver, o amor, a dedicação e a devoção a seus filhos, minha homenagem e dedicação do seu dia. Finalmente, plagiando o poeta e escritor Almeida Garrett, medito: “Eu vi minha mãe rezando aos pés da Virgem Maria; era uma santa escutando o que a outra santa dizia”. Parabéns mães, vocês são a Glória de Deus em seus filhos e dos homens. E, para não dizer que não falei das flores me lembro do nosso poeta mor quando escreveu para a posteridade, isto é, para a eternidade: “Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora , luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça é eternidade. Por que Deus se lembra – mistério profundo – de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho” (Carlos Drummond de Andrade). Precisa escrever mais alguma coisa? Parabéns mamães!








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