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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “ O Natal de ontem sem contrapor o Natal de hoje II “
12/12/2017

Sento-me diante do computador para escrever minhas crônicas: o que vou escrever hoje?

Qual o assunto a abordar? Situação política do país, do estado ou do nosso município? Do cotidiano? Das coisas comuns significantes ou insignificantes? Durante duas horas permaneço diante do visor esperando vir a primeira palavra. Vou pensando, vou pensando, vou pensando. Ah! Tiro e queda: a época é do Advento, isto é, preparação para a vinda do Senhor Jesus. Já pensou nisso? Pois é, disse-nos João Batista, O Precursor, clamando pelo deserto: “Preparai o caminho do Senhor, aplanai as sua veredas”. Essas palavras que ainda ressoam pelo mundo interior e exterior dos seres humanos nos convida a refletir, ou melhor, nos indica que procurar viver conforme a Boa-nova que Jesus nos trouxe não se trata, simplesmente, de viver dentro de um sistema religioso, com certas práticas que nos identificam com tais. Talvez Ele queira nos indicar que a fé, antes de tudo, é um percurso, uma caminhada, onde podemos encontrar momentos fáceis e difíceis, dúvidas e interrogações, avanços e retrocessos, entusiasmo e disposição, mas também cansaço e fadiga. No entanto, o mais importante é que nunca deixemos de caminhar, pois o caminho se faz caminhando e a boa caminhada de preparação é neste tempo do Advento. Por isso, a mensagem Dele, ainda hoje é: “Eis que Eu envio o meu mensageiro à tua frente”. Dado esse passo inicial, lembro que semana passada, transcrevi um artigo de Carlos Drummond de Andrade versando sobre os falsos “Papais-noéis” dos tempos modernos. Lembram? De repente, Zuuummmm. Veio à minha lembrança, meus tempos de criança, lá na Gabiroba onde nasci e, principalmente, vivi. Entardecer de Natal. A data, tão sugestiva e alegre, tinha naquela hora um ar de tristeza e saudade. O homem (meu pai) terminara há pouco seu trabalho de armar uma falsa árvore natalina, ao pé da qual se juntaram os presentes (caixas vazias) para toda família, pois a tradição na época era colocar os sapatos no beiral dos fogões à lenha. As inspirações sugeriam paz na terra para os homens de boa vontade, mas em meio ao lusco fusco do momento, o chefe de família não podia fugir das lembranças do passado, que doíam mais do que um simples retrato na parede como escreveu nosso poeta mor. A profunda significação cristã das comemorações levava meu pai a recordações indeléveis e às tradições da mais pura religiosidade. O passado ressurge como lição para o futuro, no lar do homem sonhador e bom. As lembranças que não se apagam. Para ele, ia longe o tempo em que o Natal projetava a imagem do Deus-Menino e representava, por isso mesmo, a data maior da cristandade. Hoje, o presépio simples e singelo foi substituído pelo balcão de mercadorias e a figura de Cristo cedeu lugar aos cifrões dos custos dos presentes. Papai Noel bonachão, simpático e carinhoso já não existe mais. Mal ajambrado e triste, desempenha atualmente um papel ridículo de protagonista barato, fantasiado à custa de míseras moedas. E assim vão pelos “shoppings” da vida, helicópteros brilhantemente enfeitados nos campos de futebol, ou em praças e jardins ignorando que a morte é certa.

Desapareceu todo o sentido místico do Santo Dia para a mistificação comercial do engodo. O homem saudoso retorna às tradições do passado. Em sua e na nossa cidade natal, resguardam-se recordações em torno das quais gravitam manifestações de crença religiosa. As famílias católicas conservam os ensinamentos cristãos herdados de seus antepassados, que vão se diluindo ou mesmo se perdendo com o passar dos anos. Por isso tudo – tudo que foi e por tudo que já não é mais – matutava eu, até que uma apatia invencível envolve meus pensamentos. E me ponho a sonhar, com uma saudade maior do que a tristeza daquele alegre dia. Comecei a sonhar e durante o sonho, vi meu pai conversar com o Papai Noel que batia à nossa porta e no diálogo, captei Papai Noel falando com meu pai: “Eu vim trazer umas lembrancinhas para os meninos”.

Papai recebeu-o no jardim defronte nossa casa e o visitante desde logo, estranhou que em nossa casa não havia chaminé, por onde ele entraria para deixar os presentes, sem incomodar a ninguém. - Atualmente, as casas não possuem chaminé, explicou-lhe meu pai. – Uai, então não tem fogão a lenha, em torno do qual os moradores da casa, vizinhos e amigos na época do inverno betem um bom papo, saboreando um delicioso cafezinho?

Papai respondeu-lhe: fogão existe, mas elétrico ou a gás. Quanto às conversas, não temos tempo para isso. Aqui em casa todos se distraem é assistindo a televisão. Tem novelas maravilhosas! Filmes espetaculares e temos futebol ao vivo a todo o momento, de manhã, à tarde e à noite para todos os gostos e torcedores.

A prosa continuou: - Trouxe aqui uns presentinhos. Quantos filhos o senhor tem? –Treze: seis são os mais velhos, quatro já na meia idade, dois menores e a rapa do taxo, né? – Pois então chame o mais velho, eu trouxe um livro de presente para ele. – Ah, Papai Noel, ele agora está no salão de jogos fazendo exercícios para se livrar das drogas e das más companhias, por isso, não posso incomodá-lo. É preferível tê-lo assim em casa, ao nosso lado, do que se perdê-lo pelos bares, boates, vielas e becos das ruas envolvido nas mazelas que o mundo de hoje lhe oferece. – Então, chame a mocinha? – Perdão, mas ela está no quarto estudando para os ENENs e vestibulares e pediu para não ser incomodada. O senhor sabe como é, né. Enquanto ela fica aqui não está indo para os botequins e se envolvendo, também, com más companhias, não é mesmo? – E o garoto?

Perguntou Papai Noel: - Será que ele vai gostar desta bola que eu trouxe para ele? – Olha meu velho, respondeu papai. Para dizer a verdade, o que ele me pediu foi uma fantasia de Super Homem. O senhor não poderia trocar os presentes? – Ah, pois não. Eu trouxe também este colar para a sua mulher. – Papai Noel eu agradeço este nobre presente. Ela realmente merece este e muitos outros reconhecimentos por ser dedicada e muito amorosa. Desapontado e triste, o bom velhinho se despediu e foi embora, porque verificou que já não tinha mais lugar no coração do homem... Amigos, a história de hoje é uma criação fictícia de minha imaginação, porém, qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência. Pensem nisso.








agnaldo
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