AS Notícias Online
HOME ESPORTE GERAL POLÍCIA POLÍTICA EMPREGOS MULHERES AGENDA COLUNISTAS FOTOS VÍDEOS CONTATO
Boa madrugada - Itabira, sábado, 16 de dezembro de 2017 Hora: 01:12 Compra dólar: R$ 3,307
Venda dólar: R$ 3,309
Converter dólar em reais: 0.00 reais.
18 ºC
Velocidade do vento: 6.44 km/h
Nascer do Sol: 6:9 am e pôr do Sol: 7:28 pm

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana " O Natal de ontem sem contrapor ao Natal de hoje "
06/12/2017

Já estamos no último mês do ano, dezembro. É um mês profundo em meditações espirituais e materiais. No sentido espiritual podemos observar o convite que Jesus sempre nos faz: “Já é hora de acordar”! Eis um apelo que inaugura este Tempo do Advento. Uma nova aurora surge no horizonte da humanidade, trazendo a esperança de um novo tempo, de um mundo renovado pela força da palavra que Jesus, magnificamente nos deixou nos Evangelhos, e através dos Apóstolos.

Neste tempo de graça, todos nós somos convocados a sair do comodismo de uma prática religiosa inócua, a acordar do sono de nossos projetos pessoais vazios e egoístas.

Despertos e vigilantes somos convidados a abraçar o projeto de Deus que vem ao nosso encontro. Na espera fecunda do Tempo do Advento, temos a chance de reanimarmos em nós os compromissos assumidos em favor da construção do Reino, reavivando as forças adormecidas para a construção de uma humanidade nova, livre das trevas do sofrimento, da marginalização e da morte.

É preciso tomar consciência que é neste tempo, que todos nós, indistintamente, sejamos construtores de pontes no caminho de superação das diferenças, do diálogo e da reconciliação, no cuidado do mundo e das sociedades, e, assim, dar a luz ao Bem, na manjedoura do nosso coração. “Vem e segue-me” disse Jesus.

No plano material das meditações é preciso lembrar que também este tempo é o tempo do Natal. Já pensou nisso? Ainda não? As lojas, as mercearias, os mercados e supermercados, as padarias e todo tipo de comércio já anteciparam este tempo.

Para recordar, lembro-me de uma crônica do inesquecível Carlos Drummond de Andrade, quando escreveu: “Este Natal anda muito perigoso – concluiu João Brandão - ao ver dois policiais travarem pelos braços o robusto Papai Noel que tentava fugir, e o conduzirem a trancos e barrancos para a Delegacia mais próxima”. Se até Papai Noel é considerado fora da lei, o que não acontecerá com a gente? Logo lhe explicaram que aquele era um falso velhinho, conspurcador das vestes amáveis. Em vez de dar presentes, tomava-os das lojas onde a multidão se comprime, e os vendedores, afobados com a clientela, não podem prestar atenção a tais manobras. Fora apanhado em flagrante, ao furtar um rádio transistor, e teria de despir a fantasia.

- De qualquer maneira, este Natal é fogo – voltou a ponderar Brandão, pois, se os ladrões se disfarçam em Papai Noel, que garantia tem a gente de um bispo, um almirante, de um astronauta? Pode ser de verdade, pode ser de mentira; acabou-se a confiança no próximo.

De resto, é isso mesmo que os Jornais recomendam: “nesta época do Natal, o melhor é desconfiar sempre”. Talvez do próprio menino Jesus, que, na sua inocência cerâmica, se for do tamanho natural, poderá esconder não sei que mecanismo pérfido, pronto a subtrair tua carteira ou teu anel, na hora em que curvares sobre o presépio para beijar o divino infante.

O gerente de uma loja de brinquedos queixou-se a João que o movimento está fraco, menos por falta de dinheiro que por medo de punguistas e vigaristas. Alertados pela imprensa, os cautelosos preferem não se arriscar, a duas eventualidades: serem furtados ou serem suspeitados como afanadores, pois o vendedor precisa desconfiar do comprador: se ele, por exemplo, já traz um pacote, toda cautela é pouca. Vai ver, o pacote tem fundo falso, e destina-se a recolher objetos ao alcance da mão rápida.

O punguista é a delicadeza em pessoa, adverte-nos a polícia. Assim, temos que desconfiar de todo desconhecido que se mostre cortês; se ele levar a requintes sua gentileza, o remédio é chamar o Cosme e o Damião e depois verificar, na delegacia, se se trata de embaixador aposentado, da era de Ataulfo de Paiva, ex Juiz e orador brasileiro; foi membro da Academia Brasileira de Letras e Ministro do Supremo Tribunal Federal e D. Laurinda Santos Lobo, esta que foi uma rica dama da sociedade carioca que promovia em sua mansão festas com artistas e intelectuais, ou de reles lalaus.

Triste é desconfiar da saborosa moça que deseja experimentar um vestido, experimenta, e sai com ele sem pagar, deixando o antigo, ou nem esse. Acontece – informa o detetive, que nos inocula a suspeita prévia em desfavor de todas as moças agradáveis do Rio de Janeiro. Ô Natal de pé atrás, que nos ensina o desamor. E mais. Não aceite o oferecimento do sujeito sentado no ônibus, que pretende guardar sobre os joelhos o seu embrulho. Quem use botas, seja o não Papai Noel, olho nele: é esconderijo de objetos surrupiados. Sua carteira, caro senhor, deve ser presa a um alfinete de fralda, no bolso mais íntimo do paletó, e, se ainda assim sentir-se ameaçado pelo vizinho de olhar suspeito, cerre o bolso com fita durex e passe uma tela de arame fino e eletrificado em redor do peito. Enterrar o dinheiro no fundo do quintal não adianta, primeiro porque não há quintal, e, se houvesse, dos terraços dos edifícios em redor, munidos de binóculos, bandidos e ladrões implacáveis sorririam da pobre astúcia.

Eis os conselhos que nos dão pelo Natal, para que o atravessemos a salvo. Francamente, o melhor seria suprimir o Natal e, com ele, os especialistas em furto natalino. Ou – ideia de João Brandão, o sempre inventivo – comemorá-lo em épocas incertas, sem aviso prévio, no maior silêncio, em grupos pequenos de parentes, amigos e amores, unidos na paz e na confiança de Deus. Assim escreveu nosso maior poeta de todos os tempos, não é mesmo? Dele, Carlos Drummond de Andrade faço minhas palavras na crônica de hoje.








agnaldo
INFORMAÇÃO COM RESPONSABILIDADE! Whatsapp: (31) 9 8863-6430
E-mail: contato@asnoticiasonline.com.br
AS Notícias Online 2017. Todos os Direitos Reservados.
Desenvolvedor: SITE OURO

Copyright © 2017 - AS Notícias Online - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.